desenhar para ver – o encontro de BAP com as Galerias da Amazónia, Museu Nacional de Etnologia, Lisboa, 2009 (desenhos de 2007/2008)

ideia da exposição de Joaquim Pais de Brito assim como todas as ideias da montagem espectacular, fotografias de Ana Varandas

 

 

 

 

A reserva da Amazónia – a impossibilidade da beleza

Quando visitei a reserva da Amazónia fiquei deslumbrada. São peças e mais peças lindíssimas (e ao mesmo tempo com uma ponta de bizarro que me atraiu logo) feitas com penas às cores, dentes, ossos e carapaças, garras de animais, missangas, entrançados, fibras de palmeiras, barro, etc… e apeteceu-me logo desenhá-las, assim impulsiva e ingenuamente.
Depois de ter tido autorização, a primeira dificuldade foi a escolha. Já nessa fase deixei de lado peças fascinantes mas que me ultrapassavam.
As sessões de trabalho começaram então e todos os dias que ia ao museu, chegava à “sala de restauro antiga” e tinha quatro peças à minha espera, às vezes de um mesmo tipo, outras vezes completamente diferentes entre si. E os primeiros instantes eram sempre de grande intimidação perante a beleza das peças e dos pormenores que tinha o privilégio de descobrir. Fui desenhando mas quase sempre com a sensação de amargo de boca por não ser capaz de fazer o que queria, que era fazer passar a beleza – só ou a beleza da estranheza -, dando-se o caso de não conseguir pura e simplesmente desenhar muitas das peças que escolhi, indo todos os desenhos para o lixo.
A responsabilidade de fazer jus à sua beleza aliada à minha incapacidade técnica mantiveram-me sempre presente a impossibilidade da tarefa a que me propusera. Foi uma experiência constante dos meus limites e por isso mesmo frustrante.

Bárbara Assis Pacheco, Julho de 2008

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