
Segunda a sexta: 10h – 19h ; Sábado: 10h – 14h
“Toda a vida”, 2026
livraria Buchholz
(dúvidas:
o que diria o pai?
e a família?
sacrilégio?)
Convidaram-me para expor aqui, na livraria Buchholz.
Aqui à porta, na manhã do dia 30 de Novembro de 95 morreu o meu pai.
Vinha cá a caminho do jornal como muitas vezes.
Recebi vários livros comprados aqui (os marcadores que uso são desse tempo, com o desenho da árvore), não vim cá tantas vezes mas sempre gostei muito desta livraria, é um espaço muito bonito e muito agradável.
E acho que por ter vindo nessa manhã com a minha irmã Rosa (fomos quem recebeu o recado do mal-estar do pai, éramos quem estava em casa à hora do telefonema) e já só ter visto a ambulância fechada (que depois seguimos até S.José, a Rosa a guiar, e aí então disseram-nos que morreu, não foi possível reanimar) não fiquei a imaginar o pai caído em sofrimento e não me faz impressão continuar a vir à Buchholz.
Mas percebo que faça.
Também por isso fiquei com medo — sim, é a palavra — quando me apareceu esta ideia, este tema. Claro que a evitei os dias que pude até decidir avançar e ir ao armário buscar o maço de jornais e revistas desses dias (que digitalizei antes de estragar para os netos lerem se quiserem).
Está feito, peço desculpa.
“Toda a vida” porque a morte implica toda a vida.
P.S. No piso de baixo o suporte é outro mas também tem a ver com jornais: são fotografias de jornal que me deram, tiradas por fotojornalistas.
BAP, 30.3.2026









toda a vida, 2026, acrílico e tinta-da-china s/folhas de jornais e revistas coladas

toda a vida, 2026, 153x125cm, acrílico, grafite preta e vieux-chêne s/papel (c/neto H.)











toda a vida, 2026, 24 (entre 8,5x11cm e 18x24cm), acrílico s/fotografias de jornal (un divertissement)